sexta-feira, 26 de maio de 2023
domingo, 30 de abril de 2023
Rosa
Rosa
La rose de ma vie
s'appelle Rose.
Elle est rose
comme la plus rose
des roses.
Rose, ma petite rose.
La rose que j'aime.
La rose qui m'aime (peut-être)
Mais ma rose sera mienne,
la rose qui toujours m'aime.
Poema escrito de uma vez só durante conversa com uma amiga muito especial no dia 11 de abril de 2019. O original está anexo. Ela guarda até hoje.
domingo, 23 de abril de 2023
quarta-feira, 29 de março de 2023
Minha escola
A minha escola é muito legal.
Todo dia eu vejo o meu amigo Nicolau.
Quando vejo o diretor, imagine a minha dor.
Quando vejo a Eridan*, fico igual ao Peter Pan,
voando, voando e nunca estudando.
Minha escola é muito legal.
As salas são sempre limpas, só não quando a gente
brinca de jogar papel nos outros.
Enfim, minha escola é muito legal.
Só que hoje eu não vi o meu amigo Nicolau.
Texto escrito em uma questão de avaliação
de língua Portuguesa na 6ª série em 2000.
Crônica 01
O relógio estava a 5 minutos da ave Maria. Entrara no ônibus
inquieto, ofegante, pisando firme. Sentira-se como que um fugitivo. Quiçá o
fosse. Talvez porque pensara no peso que lhe caíra sobre os ombros. Não se dera
conta ainda do que era responsabilidade. "Já comprou a passagem,
senhor?!" Ecoou um timbre de voz grave. Pensara no que responder. Exitou
por um instante buscando a palavra. Respondera que sim. "Aí está".
Acrescentou meio rouco. Pigarreou... Após recebê-la de volta guardou-a na ciência
de que lhe seria solicitada no porvir. Ah se tivesse comido um pouco a mais
daquela sopa! A fome? Cousa corriqueira em sua jornada. A escuridão... O
barulho do motor. Silêncio de vozes. Perímetro urbano de Batalha. Lia-se numa
placa azul que o farol por um instante encontrou em meio à escuridão do lado de
fora. Lembrou-se dos amigos. Pensara em desistir. Pensara na saudade que
sentiria a partir dali. Mas enfim foram apenas pensamentos. Tão rápidos que nem
ao menos ele saberia precisar em segundos. Estava agora distante e pensara em
ler. Escuridão... Estava impossibilitado de ao menos verificar se o que aquele
sorriso inusitado do guichê havia escrito em seu bilhete correspondia ao valor
pago. Desatenção. Pensou em não permitir que isso se repetisse. Teria aprendido
o suficiente para sobreviver a partir de agora? Nadar sozinho? Pegar o leme e
assumir rumo ao norte? Inquietações mil. Escuridão. O ronco do motor. Se ao
menos tivesse comido um pouco a mais daquela sopa! Pensara em dormir. Por um
instante quisera esquecer de tudo aquilo, mas a ansiedade não o permitiria. Uma
freada brusca! Uma malhada na escuridão do asfalto. A caneta teria borrado o
papel de certo. Uma companhia? Apenas outras vidas preocupadas e cansadas que
seguiam viagem caladas e na penumbra. Sabe Deus que inquietações teriam. Sempre
ouvira dizer que cada cabeça carregava uma sentença. Talvez a sua, naquele
momento, fosse exatamente o que tentara veementemente evitar que os outros
cultivassem: sofrimento por antecipação. Que ironia! O tilintar dos vidros nas
janelas assemelhava-se a gargalhadas amargas, sem vontade, sem verdade. Vozes
inaudíveis (ou ininteligíveis) que sussurravam ao passo que gritavam.
"Abra a janela, Hithcliff. Sou eu, Cathy. Voltei para casa. Aqui fora está
frio. Deixe-me entrar!" Lembrou-se de seu livro favorito... Ah como queria
ler naquele momento! Da sopa restara apenas a lembrança. E o barulho do motor
embalaria a sua jornada solitária até que se fizesse luz no momento do
desembarque. Não estaria mais ofegante. Não pisaria mais firmemente. Talvez o
sono o anestesiasse... Talvez.
Piauí, Setembro de 2019




